xe + r + aûsub + îepé (me + conjugação de 2ª pessoa + verbo amar + tu)
me amas tu
tu me amas
você me ama
Ouça:
Alguns autores gostam de usar o hífen para separar as desinências das conjugações (neste caso, r) dos radicais dos verbos (neste caso, aûsub), para fins didáticos principalmente. A forma îepé para "tu" é usada especificamente para o caso de o objeto ser a primeira pessoa ("tu me..."), assim como o prefixo oro é usado para o caso recíproco ("eu te...").
oro-aûsub
eu te amo
As formas que nos pareceriam mais naturais, "nde xe raûsub" para "tu me amas" e "xe nde raûsub" para "eu te amo" (conjuga-se com a inicial r quando o objeto é "te" ou "me"), soariam como algo diferente, tipo "tu amares-me / você me amar" e "eu amar-te / eu amar você", e, mesmo assim, ainda faltaria um "a" final para ficar que as frases ficassem corretas: "nde xe raûsuba" e "xe nde raûsuba". Verbos como "îuká" (matar), cujo radical não termina em consoante, dispensa essa terminação: "xe nde îuká" (eu te matar) e "nde xe îuká" (tu me matares / você me matar), com perdão do exemplo.
Para voltarmos ao verbo "amar", vejamos alguns outros exemplos que mostram que a conjugação do verbo depende tanto do sujeito quanto do objeto:
asaûsub a-s-aûsub
eu o amo / eu a amo / eu os amo / eu as amo
eresaûsub ere-s-aûsub
tu o amas / tu os amas / tu a amas / tu as amas
osaûsub o-s-aûsub
ele o ama / ele os ama / ele a ama / ele as ama
îasaûsub
îa-s-aûsub
nós o/a(s) amamos
(neste caso, "nós" inclui a pessoa com que se está falando)
orosaûsub
oro-s-aûsub
nós o/a(s) amamos
(neste caso, "nós" não inclui a pessoa com que se está falando)
A casa presidencial paraguaia chama-se Mburuvicha Róga, "casa do chefe" em guarani paraguaio.
Em tupi, língua irmã do guarani, o nome ficaria parecido:
Morubixaba Roka
morubixaba + r + oka (chefe/cacique + [indica posse] + casa)
Casa do Chefe
A etimologia de "carioca" também está relacionada a casa. Eduardo de Almeida Navarro afirma que vem de "casa de carijó", e cita um poema do Padre Anchieta com tal expressão.
Kariîó oka
Kariîooka
kariîó + oka (pessoa da etnia Carijó + casa)
casa de carijó
Não se usa aí a partícula indicativa de posse porque não é "casa do carijó" (de uma pessoa específica), mas "casa de carijó", de índios carijó de forma geral.
Também é bem comum encontrar como etimologia "casa de senhor" ou "casa de branco".
Karaíba oka
casa do senhor casa do homem branco casa do cristão
Karaiboka
casa de senhor casa de homem branco casa de cristão
Outra hipótese é "casa de karii" (outra etnia indígena antiga).
Piracanjuba é o nome de um peixe e significa "peixe da cabeça amarela". Também é o nome de uma cidade goiana e de uma marca de laticínios que surgiu nessa cidade.
O acento na letra "á" da palavra "pirá" (peixe) indica que essa letra faz parte do radical. Por outro lado, nas palavras "pira" (pele), "akanga" (cabeça), "îuba" (amarelo) e "poka" (estouro), a vogal final "-a" não faz parte do radical da palavra, mas é um sufixo, uma desinência de substantivo. Em alguns casos, a palavra pode ser usada sem essa desinência.
îub: ser amarelo îuba: amarelo
Xe aîub.
Sou amarelo.
O a- indica a conjugação em primeira pessoa.
pok: estourar poka: estouro
Deste modo, a formação das palavras piracanjuba e pipoca podem ser melhor descritas assim:
piraakãîuba
pirá + akang + îub + a
pipoka
pir + pok + a
AGLUTINAÇÃO
Assim, podemos estabelecer algumas regras práticas para aglutinar palavras em tupi:
1. Escolha as palavras que quer usar.
pirá + akanga + îuba
(peixe + cabeça + amarela)
pira + poka (pele + estouro)
2. Elimine as letras "a" do final das palavras, exceto quando for o "á" tônico.
pirá + akang + îub
(peixe + cabeça + amarela)
pir + pok (pele + estouro)
3. Junte tudo.
piráakangîub
(peixecabeçaamarela)
pirpok (peleestouro)
4. Em cada encontro consonantal, deixe apenas a última consoante do grupo (considere as semivogais î, û e ŷ como consoantes). Caso elimine uma consoante nasal, coloque um til na vogal que a precede.
piráakãîub
(ser um peixe de cabeça amarela)
pipok (estourar a pele)
6. Se a sua palavra agora termina com consoante, provavelmente parece mais um verbo. Se quiser que seja um substantivo, acrescente "-a" no final.
Xe moapysyk! De nada! (Lit. "Me agradou!", no sentido de "Agradou-me tê-lo ajudado!". Aparentemente uma adaptação de Emerson da Costa.) Fonte: Emerson José Silveira da Costa, que dá maiores explicações sobre as expressões encontram-se em http://abanheenga.blogspot.com/2016/08/expressoes-usuais.html.
Uma construção moderna acrescenta o sufixo "eté", resultando em algo como "realmente saber das coisas", que poderia distinguir o caráter mais formal da Ciência Moderna em sua busca por conhecimento verificado experimentalmente:
Esses
dias eu estava pensando que temos dois tipos de bom-dia no Brasil.
Se você diz isso ao chegar, está dizendo algo parecido com "Que dia
bonito está hoje!", mas, se o diz ao sair, está mais para "Tenha um bom
dia!". Assim, eu sugiro que se diga, em tupi, ao chegar,
'Aporanga!
Dia bonito! (contração obrigatória de 'Ara poranga!)
e, ao sair,
Nde 'ara t'i porang!
Que teu dia seja bonito! (contração obrigatória de Nde 'ara ta i porang! lit. "Seu dia que ele [seja] bonito!")
ou
Nde 'ara t'e'ikatu!
Que teu dia mostre-se bom! (contração de Nde 'ara ta e'ikatu! lit. "Seu dia que mostre-se bom!")
No entanto, essa é uma adaptação atual do tupi clássico, ou seja, o que chamo de tupi brasileiro. Pelo
que se sabe, os tupis antigos não diziam "bom dia". Para cumprimentar,
os homens diziam o nome da pessoa e "gûé", enquanto as mulheres usavam
"îú". Exemplos:
Abá gûé!
Olá, pessoal!
(falado por homem)
Abá îú!
Olá, pessoal!
(falado por mulher)
Essas
partículas também marcam o vocativo de forma geral. Se você coloca o
nome da pessoa seguido de uma delas no meio da frase, é como se você
estivesse dizendo "ó Fulano" (ou sem o "ó" e entre vírgulas para uma
tradução menos formal). Exemplos: